
Copiado de https://dispatchesfrombrian.com/where-can-we-find-a-good-pastor/
Nossa igreja está em busca de um novo pastor. Após mais de quarenta anos de serviço fiel, o nosso se afastou, e agora nos vemos diante da pergunta mais básica — e mais difícil —: Que tipo de pessoa precisamos para o nosso próximo pastor?
As igrejas, mesmo as pequenas, são ecossistemas complexos. Em qualquer congregação, encontramos todas as fases da vida, camadas de necessidades emocionais, fome espiritual e realidade financeira. A imagem clássica do pastor como um guia espiritual ainda se mantém, mas hoje em dia espera-se que o pastor seja, em parte, guia espiritual, em parte CEO, em parte conselheiro, em parte professor, em parte estrategista e em parte zelador.
A questão central que surge é: estamos procurando um pregador, um pastor ou um líder?
Vamos analisar cada uma delas individualmente.
O PREGADOR
O primeiro instinto da maioria das comissões de seleção é procurar o pregador — aquele que consegue “dominar a sala”. E é verdade: uma grande pregação pode ser como um banquete para os famintos. Nosso pastor, que está se aposentando, praticou por quatro décadas a disciplina do estudo, da preparação e da apresentação ponderada. Alguns domingos foram obras-primas. Fomos bem alimentados.
Mas os sermões não são iguais para todos. Cada geração ouve de maneira diferente. Os evangélicos colocam o sermão no centro do culto, mas mesmo dentro disso, o tipo O tipo de sermão varia, frequentemente com esses diversos tipos se misturando:
- Exegética, onde o pregador percorre o texto linha por linha, abrindo as Escrituras com o cuidado de um joalheiro examinando uma gema.
- De abordagem temática, que utiliza elementos de diversas passagens para elucidar uma única ideia.
- Testemunho, onde as Escrituras se entrelaçam com histórias, reflexões e experiências vividas.
E então surge a questão de entrega. Numa era marcada por palestras TED e pela diminuição da capacidade de atenção, o sermão não deve apenas informar, mas também cativar — não entreter pelo entretenimento, mas sim envolver e manter o coração desperto. Jesus sabia disso, e por isso descreveu o reino em imagens: semente e terra, lâmpadas e cestos, moedas perdidas e filhos encontrados. Metáforas são pontes que transportam a verdade através do abismo da distração.
Contudo, ao observar nossa congregação no último domingo, lembrei-me de que o domingo de manhã não é a única medida da saúde de uma igreja. Um sermão pode ser cativante, mas deixar a congregação espiritualmente frágil. Se o culto se torna um palco e o pregador, seu artista, corremos o risco de formar ouvintes atentos, mas não discípulos transformados.
Sim, uma igreja precisa de pregação, mas a pregação por si só não consegue sustentar o peso da vida congregacional.

O PASTOR
A palavra pastor Significa “pastor”, e poucas metáforas carregam tanta ternura. Mas o pastoreio hoje não se faz em campos tranquilos. Faz-se em meio às tempestades — em meio a famílias fragmentadas, política tensa, crescente isolamento, valores em transformação, dificuldades econômicas e o desgaste emocional da vida moderna.
Um pastor é chamado a cuidar não apenas daqueles que frequentam a igreja, mas também da comunidade em geral onde ela está inserida. E mesmo a menor congregação é complexa: crianças buscando sua identidade, adolescentes lidando com pressões, pais exaustos pelas responsabilidades, idosos enfrentando a solidão e todos, de alguma forma, afetados por perdas ou incertezas.
As pessoas vêm à igreja em busca de um lar onde suas mágoas não serão ignoradas, suas perguntas não serão descartadas e sua presença não será sentida. Um bom sermão pode fortalecer a mente, mas um bom pastorado acalma o coração. Em um mundo que parece um turbilhão, as pessoas precisam de um santuário — um lugar onde a confissão leva à graça, onde o Espírito nos eleva à esperança, onde o conselho é sábio e a presença do Senhor nos dá firmeza.
Um pastor é aquele que caminha conosco, não apenas aquele que fala conosco.

O LÍDER
Em muitos círculos religiosos, existe uma suposição tácita: encontre um pregador forte e o crescimento virá como consequência. Mas essa afirmação só é verdadeira em alguns casos e, muitas vezes, é enganosa. Na longa trajetória da vida congregacional, parece-me que a liderança, mais do que a pregação, determina se uma igreja prospera ou apenas sobrevive.
Liderança é a capacidade de enxergar a igreja como um organismo completo — seus dons, suas feridas, sua história, suas oportunidades e seu chamado — e guiá-la adiante com clareza e coragem. A pregação pode inspirar, e o pastoreio pode sustentar, mas liderança molda o futuro.
Ao dirigir pelo interior de Ontário, passo regularmente por duas igrejas: uma da minha própria denominação pentecostal, a outra uma tranquila congregação presbiteriana ao lado de um milharal. Para minha surpresa, a igreja presbiteriana é a que cresceu. A diferença? Não é doutrina, não é estilo, mas liderança. Uma congregação a tem; a outra, não.
A liderança na igreja é complexa. Pessoas vêm e vão, gerações surgem e desaparecem, culturas se transformam e as necessidades das famílias mudam. Um líder precisa ser espiritualmente sábio, ter habilidades organizacionais e estar atento às forças que moldam a comunidade.
Considere o que muitas congregações esperam que uma única pessoa desempenhe: planejamento estratégico, cuidado pastoral, pregação, gestão de equipe, resolução de conflitos, comunicação pública, presença na comunidade e supervisão do prédio. É o equivalente corporativo a pedir que uma pessoa seja CEO, diretor de RH, diretor financeiro, responsável pela comunicação e chefe de atendimento ao cliente — além de proferir um sermão inspirador todos os domingos.
A verdade é simples: a maioria dos pastores não possui o dom de dominar as três áreas — pregação, pastoreio e liderança — e é preciso humildade de todos os lados para reconhecer isso. Para lidar com essa necessidade multifacetada, a maioria das igrejas maiores distribui essas funções entre os membros da equipe, geralmente com um pastor principal responsável pela pregação, um pastor executivo pela administração e membros da equipe designados para cuidar dos jovens, aconselhar e supervisionar outros departamentos.
A igreja moderna enfrenta um desafio adicional. Os púlpitos estão ficando mais vazios à medida que pastores mais velhos se aposentam e menos pessoas ingressam no ministério pastoral. Os seminários bíblicos, que antes supriam essa demanda, enfrentam uma queda nas matrículas, e muitos seminaristas estão se matriculando em cursos de aconselhamento, focados em aprimoramento profissional. Para contrabalançar essa tendência, as igrejas frequentemente trabalham estrategicamente para identificar pessoas talentosas e capazes, dando-lhes responsabilidades, testando sua competência e paixão, oferecendo mentoria com o objetivo de prepará-las para o ministério pastoral. Quando os pastores reconhecem isso como parte de seu chamado, a comunidade congregacional se sente estimulada a estar atenta e a se empenhar na formação de novos candidatos. O apóstolo Paulo fez isso com Timóteo, um membro importante da equipe de liderança na igreja primitiva.
Embora queiramos saber o máximo possível sobre o candidato, eis uma pergunta que devemos nos fazer: como congregação, permitiremos que ele sirva de acordo com seus pontos fortes, em vez de exigirmos que se destaque em tudo?
A saúde da igreja não depende de um pastor super-herói, mas sim de uma congregação que usa seus dons em conjunto, permitindo que seu pastor atue com alegria em vez de exaustão.
À medida que nossa igreja entra nessa transição, a clareza é fundamental — clareza sobre o que esperamos, o que podemos sustentar, quais dons precisamos com mais urgência e como apoiaremos aquele a quem chamarmos. A busca por um pastor não se trata de preencher um púlpito. Trata-se de discernir qual combinação de pregador, pastor e líder guiará nossa congregação em sua próxima fase.
Um sermão pode nutrir. O cuidado pastoral pode curar. A liderança pode transformar. Mas somente juntos podem moldar uma congregação que viva fielmente em um mundo fragmentado.
Brian Stiller
Embaixador Global da Aliança Evangélica Mundial
Janeiro de 2026







